terça-feira, 27 de maio de 2014

As irmãs

     Ela reclamou de mais uma lua
     Enquanto andávamos em busca de vida
     Estava acesa a luz pela rua
     O barulho vazio virando a avenida

     Vieram andando como quatro bêbados
     Sorrisos da elite para a minha classe
     Seus olhos refletiram os meus como espelhos
     Botei-me na frente sem que ela arriscasse

     Segurou minha mão como um cavalheiro
     Colocou meu cabelo atrás da orelha
     Eu disse que aceitava pelo desespero
     Eles sorriram então para a noite negra

     Quando amanheceu, nós fomos embora
     Ela não entendia, mas não perguntava
     Pensar como inteiro foi difícil na hora
     Fomos ricas por um dia mas no final não bastava

     Ela dormia com estrelas no rosto
     Seus traços tão jovens para tanta miséria
     Pensei à respeito com tanto desgosto
     Se valia à pena fazer isso por ela

     Então sai para as festas sem fim
     A alta elite nem reclamou
     Peças cristalinas, de ouro e marfim
     Voltei de manhã, ela não acordou

     Eu nunca deixaria que ela um dia
     A recompensa comigo já era o bastante
     Eu sei que sonhava à noite em justiça
     Mas sua sobrevivência era mais importante

     Mas chegou a noite não esperada
     E todo momento virou uma guerra
     Horas difíceis na febre mais alta
     Ela seguiu o sol, partindo da terra

     A alta elite sentiu minha ausência
     A qualidade era alta, chamando meu nome
     Mas depois que criei consciência
     Preferi partir para a sede e a fome

     Peguei a sobra de todo o meu ser
     Andando com ritmo seguindo o farol
     Sei que não tinha mais nada a perder
      Traçando as ruas, seguindo o sol

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