"Conte até dez. Faça desejos"
1, uma cama quentinha.
2, uma boa refeição.
3, saúde.
4, uma escola de qualidade.
5, meu pai de volta.
6, uma casa.
7, um bom banho.
8, um cachorrinho.
9, segurança de verdade.
10, que isso aconteça.
Soprei a vela simbólica que minha mãe "segurava" enquanto estávamos deitadas embaixo da ponte.
"Feliz aniversário, querida. Que seus desejos se realizem."
quarta-feira, 23 de abril de 2014
quinta-feira, 10 de abril de 2014
A entrada da favela
No momento que o dinheiro chegou em suas mãos, ele correu em direção à sua casa, na favela, exaltado. A imagem de sua família com roupas novas, refeições quentes e, quem sabe, com educação não pública, coloca um sorriso largo em seu rosto, quente.
Com esse dinheiro, ele talvez colocaria a sim mesmo em uma classe social alta o bastante para um emprego fixo. Talvez tivesse o suficiente para ensinar sua filha a ler ou, quem sabe, colocar seu filho em uma escola boa onde os professores especializados poderão aperfeiçoar sua habilidade matemática. Ele poderia, pela primeira vez, comemorar o aniversário de sua esposa de forma luxuosa, pelo menos em relação à vida que ele tinham.
Eles, com a quantia ganhada na melhor aposta feita, poderiam sair da favela que moravam desde dias incontáveis. Poderia, finalmente, parar de provar "lealdade" à gangue. Sem mais furtos, sem mais assaltos. Eles morariam longe desse lugar.
A entrada "formal" da favela ficava no pé da montanha. Percorrendo seu caminho, parou por um momento e observou pela última vez aquela entrada. Ele sabia que não ia vê-la nunca mais.
Ele foi andando pela rua em direção à sua casa, o dinheiro no bolso esquerdo. Subindo a elevação que chega em sua "casa", se é que aquilo pode ser chamado assim, um barulho alto o distraiu por um milésimo de segundo. Ele caiu bem em cima da elevação.
Antes de morrer, ele viu um homem pegando o dinheiro. Ele viveu o suficiente para ouvir os gritos finos e desesperados de sua filha.
Ele estava certo. Nunca mais precisou ver a entrada da favela.
Com esse dinheiro, ele talvez colocaria a sim mesmo em uma classe social alta o bastante para um emprego fixo. Talvez tivesse o suficiente para ensinar sua filha a ler ou, quem sabe, colocar seu filho em uma escola boa onde os professores especializados poderão aperfeiçoar sua habilidade matemática. Ele poderia, pela primeira vez, comemorar o aniversário de sua esposa de forma luxuosa, pelo menos em relação à vida que ele tinham.
Eles, com a quantia ganhada na melhor aposta feita, poderiam sair da favela que moravam desde dias incontáveis. Poderia, finalmente, parar de provar "lealdade" à gangue. Sem mais furtos, sem mais assaltos. Eles morariam longe desse lugar.
A entrada "formal" da favela ficava no pé da montanha. Percorrendo seu caminho, parou por um momento e observou pela última vez aquela entrada. Ele sabia que não ia vê-la nunca mais.
Ele foi andando pela rua em direção à sua casa, o dinheiro no bolso esquerdo. Subindo a elevação que chega em sua "casa", se é que aquilo pode ser chamado assim, um barulho alto o distraiu por um milésimo de segundo. Ele caiu bem em cima da elevação.
Antes de morrer, ele viu um homem pegando o dinheiro. Ele viveu o suficiente para ouvir os gritos finos e desesperados de sua filha.
Ele estava certo. Nunca mais precisou ver a entrada da favela.
Assinar:
Comentários (Atom)