Quão estranho ele é?
Quer dizer, ele sempre me pareceu igual.
Há exatos cinco anos, dois meses e quinze dias que eu o conheço e nunca parei
para refletir por um minuto como a cor mel de seus olhos é tão estranha que o
simples ato de me olhar me deixa nervosa, como seu sorriso caloroso antes tão
igual agora me é tão fora do normal a ponto de me deixa com a sensação de
borboletas na barriga e como tudo nele, sem exceção, me parece tão diferente e
tão convidativo, que é quase doentio e surpreendente. Como pude deixar passar
todos esses detalhes que antes me pareciam tão escondidos e que agora gritam de
uma forma tão objetiva e ao mesmo tempo tão suave no meu ouvido?
Eu estou estranhamente anormal. Nem meu
cabelo, nem minha voz; Nada em mim mudou e nada me parece incomum ao primeiro
olhar. Ajo do mesmo modo que sempre agi, falo do mesmo modo que sempre falei, mas,
quando sei que ele está me olhando, quando sei que há uma mínima chance dele
prestar atenção em mim, sinto que não estou mais sendo guiada pela razão, e sim
pelo meu emocional, que resolve agir de uma forma tão excêntrica, tão inusitada
e tão estranha.
As batidas do meu peito resolvem ecoar com
meus movimentos e me pego dando checadas em minha aparência duas, três, quatro
vezes mais que antes quando estou com ele. Minha bochecha esquenta quando
escuto sua voz e seu toque me traz sensações que nunca tinha experimentado com
ele antes. Minha boca resseca e minhas mãos tremem e suam quando fico ao seu
lado. Olhar para ele diretamente vira quase um desafio, que quando
concretizado, faz-me piscar anormalmente. Tudo me parece tão estranho, mas ao
mesmo tempo tão certo.
- Ei. – acordo do meu devaneio e olho para
ele, que sorri da mesma forma de sempre para mim. Ele não mudou nada desde o
dia que nos conhecemos. Ele está igual. Eu que mudei a forma que sempre olhei
para ele. – Está tudo bem?
- Tudo sim. – respondo sorrindo para o
chão. – Tudo normal.