quinta-feira, 13 de agosto de 2015

     Quão estranho ele é?
     Quer dizer, ele sempre me pareceu igual. Há exatos cinco anos, dois meses e quinze dias que eu o conheço e nunca parei para refletir por um minuto como a cor mel de seus olhos é tão estranha que o simples ato de me olhar me deixa nervosa, como seu sorriso caloroso antes tão igual agora me é tão fora do normal a ponto de me deixa com a sensação de borboletas na barriga e como tudo nele, sem exceção, me parece tão diferente e tão convidativo, que é quase doentio e surpreendente. Como pude deixar passar todos esses detalhes que antes me pareciam tão escondidos e que agora gritam de uma forma tão objetiva e ao mesmo tempo tão suave no meu ouvido?
     Eu estou estranhamente anormal. Nem meu cabelo, nem minha voz; Nada em mim mudou e nada me parece incomum ao primeiro olhar. Ajo do mesmo modo que sempre agi, falo do mesmo modo que sempre falei, mas, quando sei que ele está me olhando, quando sei que há uma mínima chance dele prestar atenção em mim, sinto que não estou mais sendo guiada pela razão, e sim pelo meu emocional, que resolve agir de uma forma tão excêntrica, tão inusitada e tão estranha.
     As batidas do meu peito resolvem ecoar com meus movimentos e me pego dando checadas em minha aparência duas, três, quatro vezes mais que antes quando estou com ele. Minha bochecha esquenta quando escuto sua voz e seu toque me traz sensações que nunca tinha experimentado com ele antes. Minha boca resseca e minhas mãos tremem e suam quando fico ao seu lado. Olhar para ele diretamente vira quase um desafio, que quando concretizado, faz-me piscar anormalmente. Tudo me parece tão estranho, mas ao mesmo tempo tão certo.
     - Ei. – acordo do meu devaneio e olho para ele, que sorri da mesma forma de sempre para mim. Ele não mudou nada desde o dia que nos conhecemos. Ele está igual. Eu que mudei a forma que sempre olhei para ele. – Está tudo bem?
      - Tudo sim. – respondo sorrindo para o chão. – Tudo normal.