quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Identidade

     Não sou ouro, não sou bronze
     Não sou cobre diamante
     Para o pobre, não sou nobre
     Nem a mais interessante

     Durante o dia compreendo
     Chega a noite, não te entendo
     Madrugada cantareira
     Não sou feita de madeira

     Sou tristeza, alegria
     Não sou nem bijuteria
     Agitada, um pouco quieta
     Sou silêncio, cantoria

     Sou diferente, sou igual
     Sim ou não, especial
     Sou teimosa, sou comparsa

     Sou, quem sabe, uma farsa

O pequeno grande rei

Era o rei de ninguém
Errado e amargurado
Tratava com desdém
Quem não era antecipado

Pois o falso rei não gostou
De seu sangue não ser real
Já que ele se antecipou
Foi procurar o cardeal

Deus lhe escolheu, ele confirmou
Mas com medo em sua fala
Sabendo disso, o rei não gostou
E foi procurar o que não temia a nada

O cavaleiro, que mesmo incerto
confirmou a vossa alteza
Mas cá entre nós, não era esperto
O rei foi em busca de uma certeza

Pois eu, pobre mendiga resolvi ajudar
Fui então, em busca do rei
Mas ele resolveu ignorar
O melhor conselho que já dei

Mas o que ele não sabia
É que era preciso humildade
Pois só é rei quem um dia

Tratou os outros com bondade

sábado, 11 de outubro de 2014

Fuga do clichê

     Escrevi um poema
     Só tente entender
     Entrei no meu dilema
     Pela fuga do clichê

     Não há mundo adiantado
     Mas sua lábia é perversa
     Com o ego um pouco inflado
     E a culpa meio inversa

     Entre sua gargalhada
     Com sua verdade-opinião
     Sua frase recitada
     É palavra, é razão

     Não finja que entende
     Tudo o que não saber
     Mas a gente compreende
     Pela fuga do clichê